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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Os mensaleiros estão indo pra cadeia, mas e os trabalhadores com isso? A direita tradicional enjaula a nova direita, quando ambas deveriam estar atrás das grades.


Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”. O samba de Bezerra da Silva explica didaticamente o que é a política capitalista brasileira. E a letra denuncia mais: “Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores, até magnata”. É isso o que assistimos com as primeiras prisões dos mensaleiros, que deveriam estar acompanhados da elite política oligarquica do nosso país.
Quando assumiu o poder na tentativa de conseguir governar, o Partido dos Trabalhadores tentou fazer um pacto com essa elite ao invés de manter o pacto assumido com a classe trabalhadora. O “ex-Partido” ingenuamente supos que seria suficiente fazer um pacto de silêncio sobre a caixa preta do governo Fernando Henrique para ser aceito pela elite conservadora. Por isso, o então “novo governo” calou a boca e não investigou a onda de privatarias fraudadas, os inúmeros escandâlos de corrupção tucanos, que anteriormente denunciava na oposição, como a máfia dos sanguessugas no Ministério da Saúde de José Serra, a bolsa Mídia do governo federal para enriquecer as empresas de comunicação, a máfia política de José Sarney na sarneylândia do Maranhão, da família ACM na Bahia, de Collor em Alagoas, a reforma picareta da Previdência feita no conchavo do governo anterior, o pagamento absurdo de juros de uma dívida pública espúria, o encandâlo da compra de votos para a reeleição de FHC e por aí vai.
Além de não investigar a corrupção profunda do governo PSDB/PMDB, o PT ainda se aliou ao que existe de mais degenerado e podre na política. Deu as mãos para banqueiros e construtoras, fez alianças regionais com senhores feudais da política ruralista, ou seja, a velha direita.
Contudo, este partido sempre foi visto pela direita tradicional como um partido penetra no grupo, um novo partido da mesma direita, mas sem pedigree, virou uma direita sem “sangue azul”. E nem essas ações degeneradas contra os trabalhadores serviram para ganhar a simpatia da elite que sempre dominou o país.
Mesmo traindo a classe e não sendo aceito no grupo da elite tradicional, ainda teve que vender a alma e comprar consciências para governar. O crime maior veio com a aprovação da reforma da Previdência de Lula, em 2003. Depois disso, descobriu-se o esquema mensalão, compra de votos, desvio de dinheiro público para o caixa do partido para pagar dívidas de campanha. A direção do PT já degenerado pelo poder, imaginou que podia fazer as mesmas canalhices que a velha direita, mas o grupinho seleto da elite que se acha de “sangue azul” não aceitou e colocou o aparato da imprensa e da justiça burguesa para exigir a condenação.
A consciência da imprensa burguesa não tem preço porque ela sempre pertenceu à velha direita. Por isso, mesmo com o o atual governo mantendo os milhões gastos em propaganda por meio do bolsa mídia, jornais, revistas e TVs, a imprensa se volta contra o PT. E olha que só a Globo recebeu R$ 5,5 milhões do Visanet (esquema por meio do qual o PT desviara dinheiro do Banco do Brasil). Mas não existe união entre as frações da direita quando elas lutam entre si por dinheiro e poder.
Assim, oito anos se passaram e os primeiros mensaleiros começam a ir para a cadeia. A pelegada do atual governo está  enfurecida com as prisões porque se consideram perseguidos pela direita tradicional (o que é bem verdade), por não terem sido aceitos no grupo e por represália a políticas sociais como o Bolsa Família.  Isso prova que não adianta acender uma vela pra Deus e outra por diabo. A lição maior que fica é que os fins não justificam os meios. São as frações da direita em confronto.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, tem ápices de prazer público ao condenar os mensaleiros quando este mesmo Supremo Tribunal Federal fez vista grossa para a corrupção a vida inteira. Pior: ainda livraram criminosos financeiros da pior espécie, como: Daniel Dantas (um dos maiores banqueiros criminosos do país). No próximo período, veremos que manobras da própria justiça burguesa vão permitir redução das penas, cumprimento em regime semi-aberto e prisão domiciliar.
Não nos iludamos com esta  condenação, a justiça é uma ferramenta utilizada pela burguesia para oprimir a classe trabalhadora. Que os mensaleiros devem ir para a cadeia não há dúvida, porém a justiça se mantem protegendo os crimes da elite politica conservadora. Se assim não fosse poderíamos esperar o mesmo empenho do reacionário Joaquim Barbosa na investigação e prisão dos tucanos envolvidos na corrupção do trensalão do metrô em São Paulo, no desvio de verba da secretaria da educação sob o governo de Aécio Neves, em Minas. Um fato já comprova a tendência do STF em condenar apenas a nova direita, o PT. O mensalão, na verdade, foi inventado pelo PSDB em Minas Gerais na campanha do senador tucano Eduardo Azeredo. Nunca se ouviu movimentos desta elite a reivindicar a prisão de Maluf por exemplo.
Temos que ter em mente que todo ato de corrupção é um crime contra a classe trabalhadora, é uma sacanagem política de algum grupo para se autobeneficiar, enriquecer ilicitamente. O menor abandonado, a falta de vagas em escolas públicas, a falta de especialistas nos hospitais públicos são crias da corrupção e do sistema capitalista de exploração. Assim, que o STF investigue e puna também os crimes da velha direita! E que a classe trabalhadora avance na discussão de uma política de esquerda e classista para o povo.

Emerson José
Colaboração: Valéria Medeiros


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